A importância da criatividade no ensino de escrita de poesia para escolares
A instrução e o material utilizado nas escolas americanas tendem a focalizar mais a memorização de fatos, a reprodução e o questionamento literal em sala de aula ou questões que usam processos cognitivos de baixo nível (Csikszentmihalyi, 1996; McGregor, 2002; Hussein (2008).E considera-se que os tipos de perguntas feitas aos alunos estão orientadas mais no sentido do que devem responder nos testes e . Também essa tendência parece ocorrer no Brasil. (Hussein, 1999).Todavia o ensino de redação de poesia envolve o processo de criticidade e criatividade.

Apesar da maior parte de educadores citarem a aprendizagem para pensar como o principal objetivo da educação poucas oportunidades se oferecem ao estudante para desenvolver o pensamento de alto nível (Nummedal e Halpern,1995) que requerem muito mais que o domínio de conteúdo. A escrita de poemas baseia-se em produtos de aprendizagem intermediaria e de alto nível que estão identificados nas taxionomia de Bloom (1997) que envolve a avaliação crítica e a construção criativa de ideias.

A leitura e a redação criativa envolvem uma tentativa deliberada do leitor de ir além da informação, uma procura de novas ideias e um tratamento produtivo destas. Ela concluiu que “os alunos criativos usam mais o significado do pensamento divergente do que o convergente”. Este último envolve o uso de leitura e redação criativa para obter significados de fatos e sua correção enquanto que a produção divergente implica em algumas possíveis respostas corretas (Guilford,1972).

Uma perspectiva mais recente é que o pensamento criativo determina o contexto sociocultural e refere-se a valores específicos. Assim as pressões socioculturais pressionam para a conformidade e a padronização que podem ser identificadas como barreiras para o desenvolvimento da criatividade na escola. Na padronização do ensino e da aprendizagem há o incentivo de competição como a principal direção na escola que orienta o currículo limitando-o.(Myhill; Wilson,2013).

Os autores acima afirmam ainda que estas pressões socioculturais na escola têm sido codificadas no modelo industrial e econômico de modo que elas conduzem aos valores de eficiência. Elas foram baseadas na noção de que o objetivo da educação serve ao mercado na decisão sobre o numero fixado de produtos requeridos. Assim a escola é orientada pela noção da inteligência que é medida como a habilidade de lembrar informações de reprodução. Eles dizem que manter a precisão não é o suficiente como objetivo do sistema escolar e que outros tipos de pensamento são necessários como a colaboração ,tomar o risco e ser inovativo que pode desenvolver a liberdade e a valorizar a criatividade nos alunos.

Eles afirmam que no modo convencional há formas de conhecimento que dominam a cultura e que apresentam pouca imaginação como a atividade de vida interior das crianças. Os modos de apreender o mundo podem ser conhecimentos puramente subjetivos e também aqueles que estão baseados na objetividade. Pode-se dizer que há 2 modos de conhecimento a vida interior , a profundidade da experiência e o pensamento objetivo.

Dizem ainda que a poesia não é somente um veículo que incentiva a aprendizagem imaginativa mas ela também permite os estudantes a realizarem a leitura e a obter lembranças vividas que levam a escrita e que podem levar a comparar , contrastar e a integrar os tópicos que deve facilitar e despertar a apreciação da criatividade na leitura e escrita.

Será apresentada a seguir uma definição sobre a leitura criativa. Torrance (1956) a considera quando uma pessoa lê criativamente e ela é sensível a desarmonias, deficiências, ambiguidades e problemas encontrados no texto. Assim, o leitor usa as informações de sua experiência passada para resolver esses problemas como: definir a dificuldade ou identificar os elementos que estiverem faltando, buscar alternativas ou formular hipóteses sobre as eficiências, testar e retestar, modifica-las e aperfeiçoa-las

Smith(1975) a define baseando-se na taxionomia de objetivos educacionais, de Bloom (1997), usando o nível cognitivo de síntese que aplicado à leitura, significa que as ideias adquiridas da leitura de um texto são combinadas com outras informações obtidas formando um produto, padrão ou estrutura.

Alguns autores, usando as proposições de Bloom (1997) utilizam mais o nível cognitivo de aplicação para definir a leitura criativa. Desse modo, Labuda (1985) considera que o leitor criativo tem maior habilidade em examinar as relações entre os fatos, interpretá-los e aplicá-los à vida real..

A criatividade e a criticidade textual são pensamentos de alto nível que são apresentados por estudantes como sendo habilidades usadas na escrita de poesia na escola. É uma tarefa difícil definir a pensamento crítico e criativo e encontraram-se algumas tendências na sua conceituação que têm sido definidas diferentemente por diversos autores. (Labuda (1985)..

Guilford (1972) criou medidas para avaliar o pensamento criativo abrangendo a fluência ( como o total de respostas emitidas pelo aluno, a flexibilidade( quando o estudante emite respostas diferentes do diferentes do estímulo .textual) e a originalidade ( são as respostas únicas emitidas).

A seguir será apresentado o conceito de leitura crítica. Deste modo a habilidade critica nos últimos quarenta anos tem desenvolvido o trabalho de psicologia cognitiva e possibilita a clarificação do modo como o homem pensa e como o seu pensamento se desenvolve (Numeral e Halpern, 1995)..

O conceito de Dewey (1933); Carnielli e Epstein(2010) é que o pensamento crítico possibilita julgar as bases do pensamento e manter o estado de dúvida ou inquérito sistemático e prolongado. E ele apontam algumas habilidades envolvidas no pensamento crítico: como a) formular questões, b) avaliar os argumentos, c) examinar evidências, d) analisar pressupostos e vieses, e) evitar super-simplificação e falácias.

Hussein (2008) define a leitura crítica como a habilidade da criança em verificar a adequação dos “fatos imaginativos” apresentados pelo texto em relação ao seu repertório de experiências passadas. Essa autora utilizou o teste de criticidade textual com as seguintes categorias: justificativa textual, justificativa baseada em experiências e elaboração.

Alguns estudos foram realizados em nosso meio sobre o efeito do ensino de leitura crítica e criativa sobre a redação crítica e criativa. Assim, a pesquisa realizada por Hussein (2008) mostrou o efeito de um treino de leitura crítica e criativa sobre a redação crítica e criativa em crianças de 5ª série e os dados apresentaram diferenças significantes nestas habilidades no GE em relação ao GC.A autora também procurou demonstrar usando estudantes universitários de Psicologia a eficiência do treino de leitura crítica e criativa sobre a redação crítica e criativa em relação ao GC que não recebeu esse treino. Foi encontrado que o GE que recebeu o treino de leitura crítica e criativa apresentou melhor desempenho nestes comportamentos..

O uso de poesia utilizado pelos alunos possibilita o ensino da poesia na pesquisa feita por Bragotto (1994).Assim ela considera o uso de poesia como uma forma de enriquecimento do currículo ao utiliza-lo para inspirar respostas poéticas. Neste sentido, esta autora também confirma a sua utilização como meio de elevar a criatividade e a motivação no estudo de português por adolescentes. As propostas de trabalho com o uso de poesia são formas de iniciar um trabalho de escrita criativa que os estudantes gostam muito. Assim o poema poderia tocar nos sentimentos e, sendo assim, seria uma estratégia para pensar sobre os seus próprios sentimentos, e que levaria a gerar ideias que poderiam ser expressas na escrita de poemas.

Pode-se usar questões no ensino e aprendizagem da leitura crítica e criativa e suas respectivas redações. Estas habilidades citadas são importantes para o ensino da escrita de poesia dos alunos. Este estudo pretendeu realizar aqui reflexões sobre o ensino de redação de poesias para escolares.

Referências Bibliográficas
  • Bampi(1987). Efeito de um Programa para desenvolvimento da criatividade na escrita. Dissertação . Pontifícia Universidade Católica de Campinas:1995.
  • Bloom BS . Taxonomy of educational objetives: Handbook I – The cognitive domain. New York: Mckay:1997 .
  • Bragotto, D. Programa Experimental para o Desenvolvimento da Expressão Poética em Adolescentes.Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 1994
  • Dewey T. How we think a restatement of the relation of reflective thinking skills. Philadelphia: Franklin Institute Press,1933.
  • Guilford, J. P. . Intellect and the gifted. In: Gowan, J. Khatena & J. Torrance, E. P. Educating the Ablest.New York: Peacock Publishers,1972: .80-140.
  • Hussein, C. L. Leitura Crítica e Leitura Criativa: Ensino e Aprendizagem. Rio de Janeiro: CBJE:2008.
  • Hussein(2017)Reflexões sobre a criatividade sobre o ensino de redação de poesia para escolares.Será publicado na Revista de Psicopedagogia em 2017
  • Hussein (2017)Reflexões sobre a criatividade sobre o ensino de redação de poesia para escolares.Será publicado na Revista de Psicopedagogia em 2017
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